Olá Homo Sapiens 🧠
No artigo de hoje, gostaria de explorar uma hipótese que conheci por meio do perfil @neuro.divertindo, um projeto sobre neurodivergência que acompanho e admiro bastante. Eles também mantêm um excelente blog, que recomendo para quem deseja se aprofundar no tema: neurodivertindo.com
Em um dos vídeos do perfil, Andressa apresenta uma hipótese interessante sobre a relação entre seleção natural e neurodivergência e porque talvez neurodivergentes são minoria.
Uma Hipótese Sobre a Origem da Neurodivergência como Minoria
A seleção natural tende a favorecer características que aumentam as chances de sobrevivência e reprodução. Em espécies sociais, como a humana, a capacidade de se integrar ao grupo historicamente teve grande importância para ambas. Quanto maior a adaptação às normas e expectativas do grupo, maiores costumavam ser as chances de obter proteção, estabilidade, relacionamentos e, consequentemente, transmitir seus genes às gerações seguintes.
Partindo dessa lógica, Andressa propõe que pessoas neurodivergentes podem ter enfrentado, ao longo da história, desafios adicionais. Como apresentam formas diferentes de perceber, processar e interagir com o mundo, muitas vezes podem ter sido vistas como inadequadas, estranhas ou incompatíveis com as expectativas sociais de sua época.
Em diferentes períodos históricos, indivíduos que se afastavam muito dos padrões estabelecidos podiam sofrer exclusão, marginalização, perseguição ou até mesmo violência. Além disso, o sentimento de não pertencimento frequentemente leva ao isolamento social e pode aumentar o sofrimento psicológico. Todos esses fatores podem ter reduzido, em média, as oportunidades de formar vínculos, constituir famílias e transmitir características genéticas associadas à neurodivergência.
Essa hipótese ajuda a explicar por que a neurodivergência pode ser considerada uma condição minoritária na população. Porém, gostaria de expandir essa reflexão um pouco mais.
Uma Possível Explicação para o Aumento dos Diagnósticos
Quando observamos o aumento dos diagnósticos de condições como TDAH, autismo e superdotação, a explicação mais comum é que os critérios diagnósticos se tornaram mais precisos e o conhecimento científico avançou. Sem dúvida, isso desempenha um papel importante. Muitas pessoas que antes passavam despercebidas hoje conseguem receber um diagnóstico adequado.
No entanto, talvez exista outro fator contribuindo para esse fenômeno. Nas últimas décadas, pessoas neurodivergentes passaram a encontrar mais oportunidades de participação social, acesso à educação, independência financeira, relacionamentos e formação de famílias. Em outras palavras, passaram a ter mais condições de se reproduzir e transmitir suas características genéticas às gerações seguintes.
Considerando que muitos traços neurodivergentes possuem forte componente hereditário, é plausível imaginar que parte do aumento observado atualmente não esteja relacionada apenas à melhoria dos diagnósticos, mas também ao fato de que mais neurodivergentes estão conseguindo ter filhos e perpetuar essas características ao longo do tempo.

Conclusão
Não afirmo que essa seja a explicação definitiva. Trata-se apenas de uma reflexão inspirada pela hipótese apresentada por Andressa. Ainda assim, considero interessante pensar que o crescimento dos diagnósticos possa ser resultado não apenas de uma melhor capacidade de identificação, mas também de mudanças sociais que permitiram que mais pessoas neurodivergentes sobrevivessem, encontrassem seu lugar no mundo e constituíssem famílias.
Se você chegou até aqui, espero que tenha gostado do artigo e que ele tenha servido não para oferecer respostas definitivas, mas para abrir espaço para novas perguntas e reflexões.
Obrigada pela atenção e até breve 👋.
Laryssa Ramos
